Viram a Deus, Comeram e Beberam

Meditação do dia: 30/09/2023

“Deus não estendeu a mão contra os escolhidos dos filhos de Israel; eles viram Deus, comeram e beberam.” (Ex 24.11)

Viram a Deus, Comeram e Beberam – Concentrando a nossa atenção mais de perto nesse texto, que é continuidade do assunto, onde Moisés, Arão, os dois filhos de Arão e setenta anciãos subiram o Monte Sinai e avistaram algo semelhante a um estrado ou plataforma, o escritor chamou de pavimento, como se fosse de uma safira, brilhante como o céu em momento de claridade. Nosso texto inicia dizendo que Deus não estendeu a mão contra eles; isso fala da expectativa que aquelas pessoas alimentavam de que nenhum mortal pode ver ou se aproximar de Deus, que fatalmente morreria. Esse misto de reverencia com medo, prevalecia entre os povos, pois vemos outras passagens bíblicas onde o encontro com um anjo de Deus, já causava esse temor. Aqui, notamos a graça de Deus se manifestando de forma a contrariar a expectativa de pessoas, que de certa forma tinham algum conhecimento divino, ou experiencia de serviço na presença do Senhor; mas provavelmente, a exceção de Moisés, ninguém ali, jamais havia experimentado algo tão próximo a ponto de ser descrito como quem viu a Deus. Todos nós, da nova Aliança, estamos um tanto quanto mais familiarizado com a graça de Deus, mas ainda assim, há certa diferença entre o conceito teórico, teológico e a experiencia de encontro pessoal com a pessoa de Deus. Ali, não se tratava de um sonho, uma visão, ou uma manifestação espiritual, individual ou coletiva. Eles de fato estavam ali, fisicamente de corpo e alma, de carne e osso, no alto do monte e experimentando algo indescritível em palavras humanas. Como já citei em outras meditações, toda manifestação divina, tem um propósito, porquanto a revelação divina estava em andamento e muita coisa era necessário ser conhecido e algumas delas, é validada pela experiencia. Não falta curiosidade e especulações da mente humana, pois além de estarem ali, na presença de Deus, todos eles devem ter assimilado algo, pois foi para isso que foram acolhidos ali; a comunhão e a intimidade divina estendida a toda a comitiva aparece no banquete que todos participaram. Quem preparou tal banquete, para comerem e beberem ali na presença de Deus? Eles mesmos levaram e isso não fora descrito até então? Deus mesmo providenciou, de sua própria dispensa? Isso tem paralelos em outras passagens bíblicas? Sim, tem, afinal, Deus é o Criador de todas as coisas e ele pode todas as coisas. Ele providenciou água para Agar – “Então Deus lhe abriu os olhos, e ela viu um poço de água. E, indo até o poço, encheu o odre de água, e deu de beber ao menino” (Gn 21.19). Fez o mesmo por Sansão – “Então o Senhor fendeu a cavidade que estava em Leí, e dela saiu água. Sansão bebeu, recobrou alento e reviveu. Por isso aquele lugar se chama En-Hacoré até o dia de hoje” (Jz 15.19). Providenciou comida e bebida para Elias quando em fuga. “Deitou-se e dormiu debaixo de um zimbro. E eis que um anjo tocou nele e lhe disse: Levante-se e coma. Elias olhou e viu, perto da sua cabeça, um pão assado sobre pedras em brasa e um jarro de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir. O anjo do Senhor voltou, tocou nele e lhe disse: Levante-se e coma, porque a viagem será longa. Então Elias se levantou, comeu e bebeu. E, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus” (1 Rs 19.5-8). Aqui, especificamente, o anjo exigiu que ele repetisse a alimentação e bebesse e com a energia daquela comida, caminhou quarenta dias e noites ininterruptos, cerca de 800 km deserto  adentro até chegar no Sinai, onde Moisés e a turma estiveram. Pode imaginar uma comida que sustenta por todo esse tempo com a pessoa em movimento e em situação de alto desgaste? Voltando ao nosso tema, o próprio Maná que eles colhiam a cada manhã era algo milagroso. Não estamos aqui, citando casos de transformações poderosas, como o azeite e o trigo da viúva, com Elias; ou o milagre do azeite da viúva, com Eliseu. No Novo Testamento, temos as duas multiplicações dos pães realizadas por Jesus; mas tem aquela intrigante passagens após a ressurreição: “Ao saltarem em terra, viram ali umas brasas com peixe por cima; e também havia pão. Jesus disse a eles: Venham comer. Nenhum dos discípulos ousava perguntar: “Quem é você?” Porque sabiam que era o Senhor. Jesus veio, pegou o pão e deu a eles. Depois fez a mesma coisa com o peixe” (Jo 21.9,12,13). Comer juntos à mesa, tem sempre a conotação de comunhão e amizade, talvez seja por isso, que o símbolo da Nova Aliança, seja exatamente uma ceia. Ainda temos os convites de Jesus: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Ap 3.20). “Então o anjo me disse: Escreva: “Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro.” E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus” (Ap 19.9). Deus seja louvado e engrandecido pela sua graça maravilhosa e sua provisão abundante de comunhão e suprimentos para todos os seus filhos.

Senhor, agradecemos o privilégio de entrarmos na tua santa e bendita presença, através do sacrifício de Jesus Cristo, que nos abriu a porta da salvação e da comunhão o Eterno, o Todo Poderoso Deus de Israel. Somos gratos, felizes e abençoados por tudo que está disponível a nós. Oramos com gratidão em nome de Jesus, amém.

Pr Jason

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