Meditação do dia: 08/07/2026 – Série Especial “A Sabedoria”
“Porque a sabedoria entrará no seu coração, e o conhecimento será agradável à sua alma.” (Pv 2.10)
A Sabedoria No Coração – Acredito que vou precisar de muita sabedoria para escrever essas meditações sobre sabedoria; afinal, não se pode dar o que não se tem e não se pode tirar de onde não haja algo a se tirar. Isso até parece matemática básica das famosas continhas de menos (subtração) dos nossos antigos tempos de estudantes primários. Verdades espirituais também seguem de perto os princípios da vida entre os homens; assim sendo, como disse Jesus, o discípulo nunca será mais que o seu mestre – “O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem-instruído será como o seu mestre” (Lc 6.40). Não poderemos levar uma pessoa à uma posição espiritual que ainda não alcançamos. O exemplo é sem dúvida um dos mais eficientes meios de se ensinar! A razão da minha preocupação aqui, é devido aquele ensinamento que Deus exigiu dos pais israelitas em relação à transmissão do conhecimento da sua Palavra em Dt 6. “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças. Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões” (Dt 6.4-9). Toda a estrutura social do povo de Deus no AT estava baseada no ensinar desde para os pequeninos até os mais adultos. O esquecimento do que Deus fez ao povo parece uma ameaça real. Por isso, todo e qualquer método, símbolo, sinal, visualização litúrgica é útil para recordar os favores de Deus. O motor de toda a ação que Dt 6.4-9 indica é o amor. Os verbos ouvir, repetir, falar, atar e escrever mostram a tendência do texto: o coração (… do verbo hebraico “Lebab”). Apesar de quase sempre ser traduzido por coração, “Lebab” não corresponde em quase nada a esse conceito entre nós hoje. A principal função do coração é a reflexão, a decisão voluntária e consciente, o planejamento, a percepção, a compreensão. De certo modo, portanto, seria mais adequado se traduzíssemos o termo “Lebab” por algum conceito ligado ao intelecto ou à consciência humana. Primeiro os pais precisam vivenciar o processo de ouvir, amar, ter estas palavras no seu coração para, então, repetir, falar atar. É neste processo que o caráter das pessoas é transformado, visto que é diante da obediência ao Soberano Deus que a justiça e a Lei alcançarão todas as nações; então, será estabelecido o Reino. Quando o texto diz: “E amarás a Javé, o teu Deus, com todo o teu coração…” O amor não é apenas emotivo, mas lógico, refletido e consciente. Trata-se de uma decisão. Seria, portanto, uma opção adequada traduzir: “E amarás a Javé, o teu Deus com decisão plena e conscientemente assumida.” O texto diz: “E estarão estas palavras… no seu coração:” Isto quer dizer que o coração é o local onde se tomam as decisões e se forma a vontade da pessoa. As palavras devem ser pesadas como numa balança, e, assim aceitas e assumidas. O objetivo do processo é que resulte no temor do Senhor: “… reúna o povo diante de mim, para ouvir as minhas palavras, a fim de que aprendam a me temer, enquanto viverem sobre a terra, e as ensinem a seus filhos” (Dt 4.10). “¹²Reúnam o povo, os homens, as mulheres, as crianças e os estrangeiros que se encontram nas cidades onde vocês moram, para que ouçam, aprendam e temam o Senhor, o Deus de vocês, e cuidem de cumprir todas as palavras desta Lei, ¹³e para que os seus filhos que não a souberem ouçam e aprendam a temer o Senhor, seu Deus, todos os dias que viverem na terra em que, passando o Jordão, vocês vão entrar e da qual tomarão posse” (Dt 31.12.13). “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento” (Pv 1.7). Os ensinos deixados pelos sacerdotes na tradição oral e a Torá como Lei de Deus são diretrizes a serem seguidas pelo povo, visando este temor. Portanto, o que teme a Deus quer viver de forma que o agrade, que não o entristeça, visto que se sabe tão amado por Ele. Este temor sadio é uma humildade ensinável, diz a Bíblia. “O temor do Senhor é instrução na sabedoria, e a humildade precede a honra” (Pv 15.33). É total abertura para fazer a vontade de Deus. “Farei de você uma grande nação, e o abençoarei, e engrandecerei o seu nome. Seja uma bênção!” (Gn 12.2) É arrependimento, afastamento do mal. “E disse ao ser humano: ‘Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e afastar-se do mal é o entendimento” (Jó 28.28). Ele se traduz em obediência simples e prática à Palavra de Deus. Assim vive o que se deixa ensinar, humildemente, pela Palavra de Deus.
Senhor, obrigado por nos dar um coração ensinável e com a tua sabedoria poderemos crescer e servir com qualidade e excelência. Agradecemos em nome de Jesus, amém.
Pr Jason