Tá Amarrado!

Meditação do dia 11/12/2018

 “E chegaram ao lugar que Deus lhe dissera, e edificou Abraão ali um altar e pôs em ordem a lenha, e amarrou a Isaque seu filho, e deitou-o sobre o altar em cima da lenha.”  (Gn 22.9)

 Tá Amarrado! – Dessa vez, a expressão é literal, Isaque foi amarrado literalmente e colocado sobre a lenha colocado em ordem sobre o altar. A revelação de Abraão para o filho, de que ele seria a vítima do holocausto deve ter sido deveras apavorante e a cabeça do rapaz deve ter girado a mais de mil. Isso contraria tudo quanto lhe fora ensinado pelo próprio pai e pela relação de confiança já estabelecida ao longo desses anos de vida, Isaque sabia que seu pai não era em hipótese alguma, um fanático religioso com pretensas revelações de Deus e com cultos macabros e sanguinários no currículo. A conversa foi tensa, com certeza, mas a sabedoria do velho patriarca foi acalmando o coração do filho e o predispondo a se submeter ao pai e a Deus. Isaque já era grande o bastante para resistir, escapar e fugir daquela situação e se entendesse provavelmente já tinha competência para imobilizar o pai e cessar qualquer tentativa de violência ou o pai ser acometido de violência, quer por legítima defesa, quer por desespero e pânico da parte do filho. Nada disso aconteceu! No futuro, vemos essa mesma cena, só agora, não mais em figura, mas a profecia se cumprindo e as verdades nas entrelinhas aparecendo nitidamente, nos evangelhos Jesus cumpriu seu destino de Cordeiro levado ao sacrifício. E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito. Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo. E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26.37-39). Veja que o cenário é o mesmo: Ele chegou até ali sob a direção do Pai e acompanhado de vários moços que lhe faziam companhia e deixou-os e seguiu para um patamar mais íntimo apenas com os dois mais próximos e ainda assim, afastou-se deles a uma certa distancia; dali em diante era apenas ele e o Pai e o confronto de vontades com a oportunidade de abandonar tudo se livrar, mas ele escolher se submeter ao Pai e ir até o fim para que a verdade se estabelecesse e a redenção se consumasse. Para toda a humanidade Jesus morreu na cruz, mas para si e para Deus, na intimidade, ele morreu no Jardim do Getsemani, ali na renuncia e negação de si mesmo. A vida espiritual cristã nasce da morte. A morte de Cristo possibilitou a vida para tantos quantos agora creem e se identificam com ele. Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6.3,4). Além dessa identificação com Cristo na Cruz com validade para a salvação e a santificação através da morte do corpo do pecado, também há a identificação com a vida de consagração a Deus, que é firmado na renuncia diária de nossas vontades carnais e a busca pela santidade prática e a vivencia daquilo que é a vontade de Deus em todo tempo para conosco. No capitulo doze de Romanos, o Apóstolo São Paulo esclarece isso: Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.1,2). Holocausto de animais eram oferecidos a Deus sobre altares, com as vítimas já imoladas e então queimadas até se consumirem totalmente, ficando só as cinzas. Isaque prefigurava Cristo e por isso seria imolado já sobre o altar e amarrar era a forma de sujeitar-se totalmente sem oferecer qualquer possibilidade de resistência e fuga até a morte e ser consumido pelas chamas. Jesus se submeteu voluntariamente a Deus e não fugiria, mas da parte dos homens ele precisou ser pregado na cruz, mas lembremo-nos que os homens não mataram a Jesus, ele no momento certo, entregou sua vida ao inclinar a cabeça e dizer a Deus, que tudo estava consumado. O que Paulo nos mostra é que na nova vida, nós mesmos, apresentamos não a nós, mas os nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Qualquer vítima viva sobre o altar, quando a chapa esquenta, ela pula fora e escapa. Quantas promessas, votos, propósitos, palavras empenhadas você e eu já fizemos e depois pulamos fora na hora do aperto. Estar amarrado aqui, significa renunciar de vontade própria e na força do Espírito Santo permanecer consagrado, vigilante, comprometido, doa o que doer, ainda que queime, que consuma, não saia do altar, porque no fim do processo, está a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para nós. A vida de Isaque nunca mais foi a mesma, em qualquer sentido. A vida de qualquer pecado nunca mais é a mesma depois de passar pelo Calvário. A vida de qualquer cristão nunca mais será a mesma depois de consagrar-se inteiramente a Deus, oferecendo-se no altar no poder santificador do Espírito Santo. É aqui que eu digo que ser crente é uma coisa e ser cristão é outra bem diferente!.

 

Senhor Deus e Pai, autor da salvação e da nossa santificação consumados em Cristo Jesus, te adoramos e reconhecemos o poder da obra de Cristo na cruz para nossa salvação e santificação, para romper com os grilhões do pecado e nos possibilitar andar em novidade de vida e conhecer a tua vontade, a perfeita e boa vontade. Renova para conosco hoje a tua misericórdia e aceita-nos no altar da consagração integral, porque nossas vidas já são tuas, desde a nossa salvação, em nome de Jesus, amém.

 

Pr Jason

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