Tempo de Presentear

Meditação do dia: 18/10/2019

  “Então disse Jacó: Não, se agora tenho achado graça em teus olhos, peço-te que tomes o meu presente da minha mão; porquanto tenho visto o teu rosto, como se tivesse visto o rosto de Deus, e tomaste contentamento em mim. (Gn 33.10)

 Tempo de Presentear – Quando minhas filhas eram pequenas e eu viajava para algum lugar, elas ficavam na expectativa da minha chegada, claro, mais pelo que eu traria para elas do que propriamente porque eu chegaria. Nada que a infância não faça valer as trocas de valores e valia também o suspense ao vê-las rodeando curiosas e falando sem falar, como quem dizia: “E aí, trouxe algo ou não? Vai entregar ou deixar a gente esperando?” À medida que foram crescendo, o encanto foi se esvaindo até que não havia nada que fosse muito significativo para elas. Mas mesmo assim, agora adultas, ficam esperando alguma lembrancinha da viagem. Ganhar presentes é muito gostoso e nem sempre o valor monetário é o que mais interessa, e sim, de quem veio e a razão porque fomos lembrados. Jacó havia partido de casa e deixado o relacionamento com o irmão um tanto quanto abalado, na verdade, quebrado, até com sinais de desejo de vingança por parte de Esaú. Para evitar uma tragédia maior, os pais optaram por enviar Jacó para a Mesopotamia, em Harã, terra natal da mãe deles, para que ele ficasse por algum tempo e trabalhasse com o tio Labão. Pela reação de Esaú ao saber da proximidade da chegada do irmão Jacó, percebemos que ele havia guardado aquela mágoa e a raiva, para algum dia de fato executar seus planos maus. Se ele não tivesse tais intenções, o mais natural seria que ele esperasse o irmão chegar em casa de seus pais e no momento certo ele agiria. Mas ele antecipou a chegada do irmão e foi-lhe ao encontro, levando consigo quatrocentos homens bem armados e isso não era um gesto amistoso. Os mensageiros, ou os batedores que precediam Jacó, enviaram-lhe a mensagem de que Esaú vinha e seu aspecto era belicoso sim. E os mensageiros voltaram a Jacó, dizendo: Fomos a teu irmão Esaú; e também ele vem para encontrar-te, e quatrocentos homens com ele (Gn 32.6). Jacó estava ciente do que havia feito no passado e estava disposto a corrigir e reatar o relacionamento, mas ele não sabia qual seria a verdadeira reação do seu irmão. O texto em si, literalmente não diz que Esaú queria briga, mas também não omite essa idéia, pois a reação dos mensageiros e a de Jacó revelam que sim, ele estava bravo e com instinto de guerra. Sendo assim, humanamente o patriarca lançou mão de um plano de contenção para ver se podia aplacar a fúria dele até poderem se ver e falarem cara a cara. O sábio rei Salomão, entendia que presentes aplacam sentimentos ruins e podem funcionar para baixar as animosidades. O presente dado em segredo aplaca a ira, e a dádiva no regaço põe fim à maior indignação (Pv 21.14). Você já experimentou isso em sua vida? Sugiro até como uma dinâmica: se tem alguém com alguma animosidade contra você, ou as relações estão estremecidas, difíceis, ou você novo no pedaço e não sabe como cair na graça de alguém; que tal um presentinho, algo que pacifica, pode ser até mesmo um bombom, ou alguma coisa, que expresse seu desejo de boas amizades. Não faça no sentido de suborno, comprar a pessoa ou adocica-la para ganhar alguma coisa, aí é negativo. Parece que as pessoas com algo mastigável nas mãos se desarmam e ficam mais propensas a boas relações. Essa semana mesmo, vi uma reportagem de uma juíza no interior de Goiás, que fez um experimento como sua tese de graduação, utilizando na Junta de Conciliações, duas salas, uma provida com água e outra com suco de uva, ambas geladas, para as partes em litígio tomarem durante a audiência de conciliação. Os resultados positivos da sala com suco de uva foi esmagadora sobre a sala com água. Dê presentes, aprecie, deixe as pessoas saberem que elas são importantes e tem valor para você e seu interesse é genuíno, nelas.

Pai, obrigado por nos permitir ter celebrações onde elementos com sabor e aroma expressem valores da nossa fé e do teu amor por nós como pecadores. Sentar-se à mesa farta, ou partir o pão ou fazer uma refeição juntos nos aproxima e rompe barreiras. Quando celebramos a Ceia do Senhor, relembramos o teu sacrifício e revigoramos a nossa fé nas tuas promessas e tudo está representado num pão partido e num cálice que abençoa-nos de forma sensorial, afetiva, espiritual e nos conecta com o sagrado. Jesus foi o maior e o melhor presente que poderíamos receber de ti, e fostes generoso ao dá-lo a nós no Calvário. Em nome dele oramos agradecidos, sempre. Amém.

Pr Jason

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