Irmãos à Vista

Meditação do dia: 24/12/2020

E José, vendo os seus irmãos, conheceu-os; porém mostrou-se estranho para com eles, e falou-lhes asperamente, e disse-lhes: De onde vindes? E eles disseram: Da terra de Canaã, para comprarmos mantimento.(Gn 42.7)

Irmãos à Vista – Quem nunca foi surpreendido por ver alguém num lugar improvável de se encontrar? As muitas atividades diárias e suas responsabilidades faziam com que José não detivesse muito tempo e dar atenção à cada nova pessoa que aparecia para negociar alimentos dos estoques de reservas do Egito. Mas naquele dia, um rosto familiar lhe apareceu e deve ter dado aquele clic e a memória emocional foi ativada e o coração disparou com certeza. Mas não era apenas uma pessoa com traços reconhecíveis, eram dez ao todo. Será possível? Sim, totalmente possível! Mesmo sendo um homem preparado, com postura e polidez social, naquele dia, as emoções bateram fortes e quase uma vida inteira passou-lhe diante dos olhos. É uma cena que vale a pena ver, como se estivéssemos lá, observando sem ser visto e lendo as fisionomias e os pequenos detalhes de nervosismo, expectativas e reações. José poderia se mover livremente naquela situação, porque ele tinha como reconhecer os irmãos sem que eles pudessem suspeitar, porque não havia no coração e mente deles, qualquer possibilidade de um reencontro com o irmão desaparecido à mais de vinte anos e mesmo que ele estivesse vivo, estaria servindo em algum lugar, nunca numa posição de destaque. José ainda tinha a vantagem de agora estar “disfarçado” de egípcio, o que o tornaria ainda mais irreconhecível. Acredito que, como eu, todos temos muitas perguntas na cabeça sobre como José reagiu interiormente ao ver aqueles rapazes. É a materialização daquele adágio que diz, que a pedra pode virar vidraça um dia. Esse dito popular se refere a reversão de posições, quem hoje está atirando, por se tornar o alvo amanhã. Um dia, sem qualquer motivação aparente, José foi surpreendido pela ação dos dez irmãos que o prenderam e o amarraram com a conversa de até matá-lo; ele só percebeu que era uma ameaça verdadeira quando o irmão mais velho dissuadiu os irmãos da idéia de fratricídio e apenas puni-lo jogando-o numa cova no deserto e dali ele fora sacado e vendido como escravo, mesmo com os apelos, rogos e choro por clemencia da parte dele. Eles não tiveram misericórdia! Eles estavam no comando das ações e exerceram esse direito para o mal. Tal qual a inocência de José ao aproximar dos irmãos nas pastagens de Canaã, agora, anos depois, aqueles mesmo dez homens juntos se aproximam de José, sem nenhuma suspeita de perigo contra suas vidas. As cartas agora estavam favoráveis a José. Vamos meditar nas nossas experiencias de vida – quando alguém nos fez mal quando estava em posição de vantagem sobre nós e se valeu disso; mas agora aparece bem diante de nós, no nosso território, com as vantagens ao nosso lado e autoridade suficiente para exercer punição. O que farei? O que farás? Ou faremos? É hora de dar o troco com juros e correções? É hora de usar de misericórdia e complacência e exercer o direito de fazer o bem? Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem. (Rm 12.18-21). Não pensar por vocês, é claro, mas preciso pontuar algumas coisas desse texto de Paulo aos Romanos: Começo pelo contexto, de um israelita escrevendo à romanos, um subjugado ao subjugador e Paulo afirma… “se depender de vós…” – depois ordena que ninguém vingue a si mesmo; acolher a ira e deixar a vingança com Deus; tratar o inimigo ou adversário com solidariedade e bondade genuína. Sempre que falo sobre essa prática de dar comida e água a alguém que está à fim de liquidar comigo eu acrescento que devemos dar a comida e a água e não vale colocar veneno. Essa atitude de contra-cultura mexe com a cabeça da pessoa, porque alguém faminto e sedento sendo servido por alguém que ele deseja o mal, o deixa numa posição muito incômoda, porque é a provável única pessoa do mundo que naquela situação não lhe serviria, e ela sabe e espera isso, mas é surpreendida pelo gesto de bondade. Finalizando, Paulo diz para não deixarmos o mal nos vencer, mas nós o vencermos com a prática do bem. É um exercício da liberdade de escolha e escolhemos fazer mais do que é esperado. Isso é divino. Vingar ou ficar indiferente é fácil. Sabem qual a cena no meu imaginário futurista, e que iremos presenciar que enseja isso? Pilatos diante do grande trono branco no dia do juízo! Quando o os papéis se invertem.

Pai, obrigado por nos criar com imaginação fértil mas também com emoções que nos permitem agir com o coração para fazer o bem, quando temos em mãos os instrumentos legais para vingar e retribuir o que já recebemos, mas por amor à verdade e ao que Jesus fez por nós, escolhemos andar em fé e obediência e assim, entregamos nas tuas mãos o direito de cuidar do caso para nós e seguimos com o coração livre, leve e solto, regozijando por replicar os feitos de Jesus, o nosso rei. Obrigado pelas pessoas foram magnânimas com a gente, não retribuindo o mal que lhe fizemos em outra situação, mas escolheram ser semelhantes a Cristo e nos perdoaram e abençoaram quando não merecíamos. Graças te rendemos de todo o nosso coração, que esperamos manter puro e simples diante do Senhor, em nome de Jesus, amém.

Pr Jason

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