Sombra Sem Água Fresca

Meditação do dia 20/10/2018

 “E consumida a água do odre, lançou o menino debaixo de uma das árvores.”  (Gn 21.15)

 Sombra sem água fresca – Encontrar uma árvore ou arbusto em pleno deserto é sem dúvida uma bênção e até um sinal de que as coisas podem melhorar. Os recursos fornecidos por Abraão para a viagem de Agar e Ismael não eram suficientes para garantir-lhes a chegada em algum lugar com recursos. Era uma ajuda paliativa, que ajudaria por algum tempo, mas definitivamente não seria permanente. São os recursos humanos em comparação tamanho da necessidade real da nossa vida; ninguém tem o bastante para garantir nossa vida. Mesmo que Abraão tentasse dar todo o necessário, eles não teriam meios de carregar na viagem, afinal, saíram apenas com seus corpos. Quando alguém faz uma mudança planejada, ele prevê os detalhes, os trajetos, as paradas, as fontes de suprimento e ao chegar no destino já tem meios e condições de esperar o recomeço da vida ali. Quando se é expulso, jogado para fora, não existe planejamento e nem recursos imediatos. Os recursos findaram e bateu o desespero em
Agar que preferia não ver o triste fim que seu filho teria e pelo menos ela o colocou numa sombra, talvez tão pequena, que não daria para os dois. Quando ela se retirou, ela tinha uma idéia do que aconteceria, mas ela não contava que naquela sombra, largado para morrer, Ismael de fato morreu, morreu para tudo o que ele conhecera até então na vida e ali ele nasceu, ele se ergueu diante de Deus. Assumindo o seu lugar como homem e como adorador; ele orou como gente grande; ele clamou ao Deus único e verdadeiro e foi ouvido. A resposta foi imediata e a visitação do Senhor, já conhecido por Agar trouxe vida e conforto e reverteu as expectativas de Agar, para iniciar dali em diante a vida e experiência de Ismael. Na presença de Deus existe vida e bênção capaz de reverter qualquer plano de destruição e morte. Em tempo algum o Senhor havia abandonado eles. A vida deles havia sido assegurado pelo Senhor à Abraão; a própria Agar, anos antes havia recebido uma promessa e Deus tinha intenção de cumpri-la. Ismael era o único que ainda não andava com os próprios pés em termos de caminhar com Deus, mas isso estava mudando. Ali ficou o menino e saiu dalí um homem; isso é o poder criativo de uma crise. É vida que nasce da morte. Como o grão de trigo que Jesus falou: Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto. Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna (Jo 12.24,25). Para ganhar uma é preciso abrir mão da outra e isso custa muito, isso dói, incomoda e é mas fácil se acomodar com o já conhecido do que se aventurar pelo desconhecido. A vida de Ismael até ali era uma ilusão fantasiosa; a paternidade que ele e a mãe tanto valorizava, não era garantia segura de proteção e cuidado; ele não era o herdeiro como sempre achara que era; toda aquela riqueza, conforto, companheirismo, proteção e segurança, não existia de fato e de direito e por algo que parecia tão inofensivo e ingênuo, tudo veio à baixo, seu castelo de sonhos desabou de vez. Agora, ali debaixo daquela árvore, ele se levantava como um homem autentico e tudo que ele tinha não era muito, mas era autentico, era legítimo. Ele só tinha a vida, a mãe, um odre para encher de novo, mas agora com água suprida por Deus. Provavelmente ele levava o seu arco de caça, que até então era um lazer, um esporte, mas agora seria sua fonte de suprimento e seria levado à seria, porque não seria mais um menino brincava de caçar com arco e flecha, mas um homem, um arqueiro que viveria da sua habilidade. Se aquele menino não tivesse sido deixado para morrer debaixo daquela árvore, não teria nascido um homem forte e valente, vencedor e que seria conhecido e respeitado. Me vem à mente uma outra cena de alguém encontrado por Deus debaixo de uma árvore e que saiu dali transformado. Jesus viu Natanael vir ter com ele, e disse dele: Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo. Disse-lhe Natanael: De onde me conheces tu? Jesus respondeu, e disse-lhe: Antes que Filipe te chamasse, te vi eu, estando tu debaixo da figueira. Natanael respondeu, e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus; tu és o Rei de Israel (Jo 1.47-49). Debaixo da única árvore no deserto da vida, podemos encontrar o que sempre procuramos nas catedrais confortáveis, das experiências dos outros. Ali, pode ser um excelente lugar para morrer para a vida de escravo, de ilusão e levantar-se com livre e senhor de suas decisões para ser e fazer aquilo para o qual se foi criado.

Senhor, obrigado pela segurança de que a minha vida está nas tuas mãos e sobre os teus cuidados poderei atravessar o deserto que se me apresenta. É o Senhor quem cuida de mim e de nós; os recursos que os homens podem nos apresentar são poucos e acabam logo. Só o Senhor é permanente, eterno e fiel. Obrigado por ouvir as orações dos aflitos e largados para morrer. Contigo podemos recomeçar de onde nós mesmos não tínhamos como continuar. Em nome de Jesus, amém.

 

Pr Jason

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