Tá Amarrado!

Meditação do dia 17/06/2018

 E chegaram ao lugar que Deus lhe dissera, e edificou Abraão ali um altar e pôs em ordem a lenha, e amarrou a Isaque seu filho, e deitou-o sobre o altar em cima da lenha.  (Gn 22.9)

 

Tá amarrado – Calma, calma! Não estou esconjurando nada e nem estou utilizando um jargão popular muito comum entre os cristãos evangélicos espalhados pelo Brasil à fora. Estou falando literalmente da pessoa de Isaque estar amarrado com cordas e isso feito pelo pai Abraão e colocado deitado sobre a lenha colocada em ordem sobre o altar, no lugar que Deus havia determinado. Estou querendo ver essa história do ponto de vista humano e no sentido prático das coisas e daí, fazer alguma aplicação que seja edificante para nossas vidas e nosso relacionamento com Deus. Considerando que Isaque estava com seus treze à quinze anos, era de esperar um adolescente forte, ágil e de bom porte físico. Deveria ser um “garoto esperto,” e ele já havia feito perguntas sobre o que estava acontecendo e pelo seu conhecimento dos rituais de culto praticado em família, estava faltando alguma coisa. Até então ele sabia que iria com o pai, oferecer um sacrifício, um holocausto ao Senhor Deus de seu pai, o Todo-Poderoso, o possuidor dos céus e da terra. Mas até então ele sentia falta de ao menos um elemento, uma vítima, pois ele estava carregando a lenha e seu pai conduzia uma tocha de fogo e um cutelo, ou punhal cerimonial para imolar a vítima, que era o grande mistério. Além do mais na resposta a essa pergunta, o pai respondera, mas não convencera ou satisfizera sua curiosidade, pois simplesmente deixou saber que Deus iria providenciar esse cordeiro. O texto, claro, não narra todas as conversas, e tudo o que temos registrado foi passado pela tradição oral ao longo do tempo e naquele momento só Abraão e só Isaque tinham histórias para contar, pois eram os únicos ali e eram atores de todos os acontecimentos. O que sabemos, foi contado por Isaque, e por Abraão. Estou pensando que, ao chegarem ali, no lugar marcado com X, Abraão e Isaque edificaram o altar e colocaram tudo em ordem e então Abraão contou os detalhes para o filho. Deve ter sido chocante para um garoto bem educado, alimentado desde bebê com as palavra de fé e de apropriação de sua identidade e destino das promessas do Deus de seu pai. Ele seria pai, seria avô e veria seu povo crescer e encher aquela terra e um dia eles tomaria posse definitiva de todo aquele imenso território como posse de uma única nação. Como agora, o pai lhe falava que Deus pedira que o oferecesse em sacrifício, um holocausto ali naquele lugar, sobre aquele altar que acabaram de levantar! A cabecinha dele deve ter girado à mil, o coração, como dizemos, estava “saindo pela boca de tão acelerado,” adrenalina lá nas alturas e os pensamentos fervilhavam e se debatiam dentro dele. Imagino que esta é uma cena onde pode se perceber a diferença entre o poder e a autoridade – porque se Isaque quisesse correr e dar o fora dali, isso não seria difícil e Abraão não teria pique para impedir ou alcança-lo. Provavelmente numa luta corpo a corpo, em tentativa de se livrar, Abraão não conseguira amarrá-lo, lembrando que o patriarca já estava na casa dos cento e treze-catorze anos. O outro lado da moeda é que, na minha versão aqui, o pai, convenceu o filho da sua certeza de fé e da fidelidade do Deus a quem eles serviam podendo assim, Isaque confiar sua vida nas mãos de seu pai e aceitar o seu destino nas boas mãos de Deus. Foi assim, que Isaque aparece amarrado e colocado sobre a lenha no altar. Sem rebeldia, sem estar gritando por socorro, para que os dois moços lá em baixo viesse ajudar, porque o pai ficara maluca e tá querendo me matar….Socorro!!!! Isaque se submeteu! Rendeu-se! Consagrou-se! Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1). Para todo ser humano, a morte é uma realidade, já aconteceu na vida de muitas pessoas que conhecemos e fomos a muitos velórios e sepultamentos e todos sabemos que ela existe, que vem me buscar um dia e que não tem como evitar isso. Ela está à espreita bem ali no nosso futuro, seja imediato ou remoto. Todos que estão vivos, ainda não morreram e todos que não morreram são candidatíssimos a serem o próximo. O futuro é totalmente opaco para todos, o que nos resta, é a fé no fato de que a nossa vida está segura nas mãos e nos cuidados do Senhor nosso Deus e que ele dispõe dela como bem lhe entender e no tempo que entender. Então acredito que mesmo com fé, foi apavorante, sinistro para Isaque, que pode se dizer que viu a morte face a face. Ele sabia, que sem uma intervenção sobrenatural dos céus, seu pai tinha fé e obediência para prosseguir, ainda que lhe fosse difícil. É por isso que Abraão passou no teste; ele agiu pela fé sem levar em conta os sentimentos, as emoções, a razão e a lógica e até mesmo as palavras anteriores de Deus. Para ele: “Deus disse, eu acredito e isso me basta!”

Pai celestial, obrigado por submeter Abraão a um teste que dizemos ser extremamente difícil, mas o Senhor sabia com quem estava lidando e como todas as coisas podem ser possível para aqueles que tem fé em ti. Aprendemos com o exemplo de Abraão, mas também aprendemos com a tua fidelidade e capacidade de agir soberanamente sobre as nossas vidas, sem ser injusto, maldoso ou qualquer outro sentido mal das palavras. Ninguém há como o Senhor nosso Deus. Ninguém fez ou faz nada como o Senhor e ninguém nos ama e deu tanto em nosso favor. Obrigado pela redenção e pela filiação e permitir que te conhecêssemos por divina revelação do teu amor, graça e misericórdia. Louvado seja o seu santo nome! Em nome de Jesus, prefigurado ali em Isaque, amém.

Pr Jason

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